Yoga

 

Origens do Yoga

 

Yoga é um termo sânscrito, antiga língua sagrada da Índia, a mais velha da família indo-européia, a palavra yoga significa unir, união é de gênero masculino e tem como raiz yug ou jug, palavra originada da canga que une os dois bois, em latim - jugum - ou como no português: com - jug - al. Essa raiz ainda é encontada no latim jungere, que significa ligar, acrescentar. No português jungir - emparelhar, juntar, ligar, prender (a veículo) e no inglês yoke, isto é, um instrumento que serve para ligar ou unir; yoga é, portanto, um instrumento. Para alguns autores, o termo yoga significa integração, referindo-se à conscientização da integração corpo/mente no ser humano.

O termo yoga refere-se à união do indivíduo consigo mesmo, com a natureza e com o cosmo (visão macro-micro). Yoga é um instrumento para dirigir e concentrar a atenção do praticante em algo concreto ou abstrato, o que vai disciplinar o processo mental, as emoções e a vontade. Também é considerado como a coordenação, a unificação dos diferentes elementos do psiquismo humano.

 

Com sua tecnologia, o yoga tem como objetivo conduzir o ser humano à experiência de si mesmo e, conseqüentemente, à compreensão de seus semelhantes e da natureza (ecologia interna e externa). A filosofia do yoga é um dos caminhos que leva o ser humano a viver e agir de acordo com as leis da natureza.

 

Ao atingir o yoga, ou seja, a integração, é destruída a ilusão da separação, a fantasia de se achar separado: de si mesmo (corpo e mente), dos outros seres humanos e da natureza da qual fazemos parte.

Escavações arqueológicas realizadas de 1921 a 1931 por Marshall, Mackay, Wheeler, Siddiqui, Dikshit, Vats e Hargreave descobriram ruínas das cidades Moenjodaro e Harappa na bacia do Indos, atual Paquistão, onde vivia um povo chamado drávida. Nestas escavações, foram descobertas estatuetas com figuras em posturas típicas e com os olhos voltados para a região entre as sobrancelhas, uma prática que caracteriza o yoga. Calcula-se que o povo drávida tenha vivido há aproximadamente 5.000 a.C. nesta região de Moenjodaro e que foi chamada pelos arqueólogos de "cidade moderna da Antigüidade", Correio da Unesco.

Os drávidas eram uma civilização matriarca, desrepressora, sensorial, povo que se estabeleceu na Índia anteriormente ao povo ária. São considerados os criadores do yoga, respeitavam a natureza, tinham vida comunitária (o que deu origem aos ashrans - comunidades onde se concentram os praticantes de yoga, para conviver e estudar), sacralizavam o sexo e a água.

Essa civilização, muito desenvolvida, tinha um rico artesanato, uma escrita avançada e nos deixou raras obras de arte e, provavelmente, o yoga.

O yoga atravessou os séculos, sendo passado de mestre para discípulo até que foi codificado por Patanjali, um sábio, talvez um matemático, que escreveu o livro "Yoga Sutra", o mais antigo documento que trata exclusivamente de yoga. Alguns autores acreditam que Patanjali tenha vivido no século III a.C.; outros apontam para os séculos III ou V da nossa era.

Patanjali não criou nada. Ele codificou o yoga, cujos ensinamentos vinham sendo passados oralmente de mestre para discípulo e que já tinham sido mencionados em alguns textos védicos (2.500 a 4.500 a.C.). A palavra veda significa conhecer, aquilo que foi visto, revelação. Os textos védicos são o fundamento do hinduísmo, uma coleção de livros religiosos e filosóficos que apresentam várias citações sobre o yoga.

Convém ressaltar que o yoga antecede em alguns milênios aos Vedas; portanto, o fundamento filosófico do yoga autêntico não está nos vedas e sim no Samkhya (que literalmente significa número, classificação), uma filosofia naturalista atribuída a Kapila, um filósofo do qual não se possuem dados históricos. Segundo essa filosofia, que serviu de base teórica para o yoga, a consciência é o material que permite toda sorte de manifestação no Universo.

Segundo Zimmer, a contribuição mais importante do Samkhya e do yoga à filosofia hindu reside em sua interpretação estritamente psicológica da existência. Suas análises do micro-macrocosmo, bem como de toda a série de problemas humanos, são apresentadas em termos de uma espécie de funcionalismo psicológico protocientífico.

Assim, segundo o Samkhya, através de experiência pessoal, interna e externa, podemos apreender o macro/microcosmo. A verdade externa tem sua contraparte interna e a experiência interna tem sua verificação no mundo interno.

 

Ravi Ramkala - Ravi Shankar
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